'... Não tinha o melhor emprego, nem o melhor salário. Do tipo que saí de manhã e só se sente o cheiro ao anoitecer. Um publicitário qualquer, uma figura borrada no mundo da imagem, um ser solitário - em todos os sentidos. Já teve uma ou duas namoradas, nada muito sério, nada muito intenso. Uma ninfomaníaca, dessas bem sucedidas na vida e sedentas por um belo rosto masculino. Outra... simples, nova, sem muitas expectativas na vida, na verdade, sem nenhuma. Como era triste se envolver com esse tipo de mulher, nunca teve muita sorte pra sorrir na hora certa ou arrumar um bom papo.
Era jovem, sabia que tinha uma carreira pela frente... era o que gostava de pensar. Pensar, pensar e pensar... eterno pensador! E todos os dias ele chegava do trabalho, cansado... jogava a chave do carro em um canto qualquer da mesa, respirava fundo ao entrar em casa. Filho único, pais velhos, nada muito exclusivo. Sempre ia para a cozinha e abria a geladeira, encarava como se ela tivesse culpa ou entendesse como se sentia. Nada de bom, denovo. Um prato de comida, nada que pudesse matar sua fome, seu desejo.
Dava mais uma respirada profunda, afrouxava o nó da gravata - Oh vontade mesmo era de afrouxar o nó da vida - caminhava em direção ao quarto, sentava ao pé da cama, tirava os sapatos... ficava imaginando como seria chegar em casa e ter alguém para conversar, alguém que o esperasse ansiosamente para saber como fora o seu dia. Um alguém, um amor.
Deitava na cama, de palitó mesmo, abraçava as pernas... e assim, enfim, dormia...
Ou sonhava, sonhava com um grande amor... '
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Um comentário:
como comentario tenho a dizer que sao pensamento intensos e digo que ficou otimo e muito interessante o paradoxo do titulo muito obrigado por compartilhar comigo suas inspirações
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