'... Um dia frio. uma boa coberta e algo gostoso pra comer. Bela combinação! Seria uma boa combinação se não fosse pelo fato de que não tem nada de gostoso pra comer. O que fazer? Surge então a brilhante idéia de 'Vou ao mercado rápidinho, compro algo e volto para ver meu filme.' - Maldita idéia!! - Coloca apenas uma blusa, vai de moletom mesmo, é rápidinho, ninguém nem vai notar. Entra no carro, dá aquela esfregada de mãos, liga o carro e pronto. Já bate um leve arrependimento por ter saído de casa, o mercado parece lotado, não tem nem vaga para estacionar. Tudo bem, vale a pena! Vou rápidinho e já volto.
Acha uma vaga qualquer, luta para colocar o carro. Entra no mercado, olha dos lados e... Não têm nenhum carrinho! O que te dá um leve calafrio.Tudo bem, afinal... você veio rápidinho e nem vai precisar de carrinho mesmo. Começa a andar pelos corredores, pensando em 'algo gostoso' para comer, olha uma caixa de chocolate qualquer e pega. Percebe então o quão lotado está o mercado, olha crianças correndo ao seu redor, mulheres lendo rótulos de creme de leite, estudantes pegando apenas cerveja, você olha e vê algo que precisava comprar. Quando percebe, já está com os braços abarrotados de coisas e nenhuma delas é 'algo gostoso para comer'. Olha para o mercado, uma fila enorme no açougue e nota aquela música das antigas, tipo Johnny Cash que era pra deixar o ambiente tranquilo, porém só vai deixando-o mais irritado.
Chega então a pior hora no supermercado, a hora de passar no caixa. - Essa hora é temida por dois motivos; primeiro: você nunca sabe quanto vai dar realmente sua compra; segundo: sempre, sempre têm uma maldita fila e a primeira da fila paga a compra em cheque ou cartão -
Não podia ser diferente, fila do caixa enorme. 10 minutos... 20 minutos... 40 minutos... Chegou sua vez. Parece que ela passou tão rápido!
Bate então aquela irritação profunda quando coloca os pés para fora do mercado. Você comprou mais do que queria, mais do que precisava e nada de 'gostoso para comer'. Seu filme já está na metade e você sabe que amanhã estará novamente... no inferno de produtos, chamado Supermercado. ...'
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Um Publicitário
'... Não tinha o melhor emprego, nem o melhor salário. Do tipo que saí de manhã e só se sente o cheiro ao anoitecer. Um publicitário qualquer, uma figura borrada no mundo da imagem, um ser solitário - em todos os sentidos. Já teve uma ou duas namoradas, nada muito sério, nada muito intenso. Uma ninfomaníaca, dessas bem sucedidas na vida e sedentas por um belo rosto masculino. Outra... simples, nova, sem muitas expectativas na vida, na verdade, sem nenhuma. Como era triste se envolver com esse tipo de mulher, nunca teve muita sorte pra sorrir na hora certa ou arrumar um bom papo.
Era jovem, sabia que tinha uma carreira pela frente... era o que gostava de pensar. Pensar, pensar e pensar... eterno pensador! E todos os dias ele chegava do trabalho, cansado... jogava a chave do carro em um canto qualquer da mesa, respirava fundo ao entrar em casa. Filho único, pais velhos, nada muito exclusivo. Sempre ia para a cozinha e abria a geladeira, encarava como se ela tivesse culpa ou entendesse como se sentia. Nada de bom, denovo. Um prato de comida, nada que pudesse matar sua fome, seu desejo.
Dava mais uma respirada profunda, afrouxava o nó da gravata - Oh vontade mesmo era de afrouxar o nó da vida - caminhava em direção ao quarto, sentava ao pé da cama, tirava os sapatos... ficava imaginando como seria chegar em casa e ter alguém para conversar, alguém que o esperasse ansiosamente para saber como fora o seu dia. Um alguém, um amor.
Deitava na cama, de palitó mesmo, abraçava as pernas... e assim, enfim, dormia...
Ou sonhava, sonhava com um grande amor... '
Era jovem, sabia que tinha uma carreira pela frente... era o que gostava de pensar. Pensar, pensar e pensar... eterno pensador! E todos os dias ele chegava do trabalho, cansado... jogava a chave do carro em um canto qualquer da mesa, respirava fundo ao entrar em casa. Filho único, pais velhos, nada muito exclusivo. Sempre ia para a cozinha e abria a geladeira, encarava como se ela tivesse culpa ou entendesse como se sentia. Nada de bom, denovo. Um prato de comida, nada que pudesse matar sua fome, seu desejo.
Dava mais uma respirada profunda, afrouxava o nó da gravata - Oh vontade mesmo era de afrouxar o nó da vida - caminhava em direção ao quarto, sentava ao pé da cama, tirava os sapatos... ficava imaginando como seria chegar em casa e ter alguém para conversar, alguém que o esperasse ansiosamente para saber como fora o seu dia. Um alguém, um amor.
Deitava na cama, de palitó mesmo, abraçava as pernas... e assim, enfim, dormia...
Ou sonhava, sonhava com um grande amor... '
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