quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Sorrir, Sorrir. Basta, Sorrir.
Alma que choras, ninguém precisa saber das tuas dores
Carregues a tua cruz e não negues um sorriso.
Ainda que conheças de perto o limbo e a tristeza
Não deixes nunca de sorrir.
Se tua chaga inflama de paixão
Teus olhos cegas a razão
E em teu leito,
anseie toda noite com a quimera de um amor
Use desse escudo, ainda que velho.
Sorria sempre sem medo
Ainda que criatura perambulante pela terra
Desvairada de desejos
Espumando solidão
Jamais deixes que roubem o seu sorriso de vencido
Vencido por sem fé


Sem forças pra terminar de escrever...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

'Esquentando Cadeira'

E entre amigos, um jovem conta vantagem ' Vou fazer estágio no S & S, pegar meu diploma e esquentar cadeira!' O velho ao lado, ouvindo a conversa, começa então a contar uma história:

'Eis que haviam quatro jovens amigos, e cada um escolheu o que lhe era mais fácil. Então, a sociedade ganhou um delegado, um médico,uma professora e um jardineiro. E a vida é cruel, cruza os destinos como redes de peixe, mas quando uma linha arrebenta, a rede não serve mais.
E cada jovem pegou seu diploma à mão e foi seguir a vida. Há uma certa altura da carreira, depois de terem construído suas vidas, a uma jovem que escolheu ser professora, entra um dia em uma sala de aula, com várias crianças sedentas por conhecimento, ainda que não aparente. Dá de cara, então, com aquele aluno, aquela criança que não pára. Por ser de costume, tomava sempre a decisão mais fácil, encaminhando para à direção. A criança se rovlta e decide não voltar pra casa aquela noite. Perde o nome de aluno, recebe o nome de Adolescente. Por qualquer razão da vida, esse 'adolescente' resolve sair com os amigos naquela noite.
Uma noite mau combinada, vai parar na delegacia. O delegado que estava lá pra esquentar cadeira, muda o nome do Adolescente para 'Marginal'. Um marginal qualquer, toma uma decisão qualquer, pois depois do serviço vai encontrar com os amigos, para tomar uma cerveja gelada.
O 'Marginal' é liberado, caí as ruas novamente. O médico, já fechando o turno, recebe a notícia de vai ter que realizar uma cirúrgia às pressas. De saco cheio do trabalho, de tanto esquentar a cadeira, liga para os amigos avisando que vai se atrasar. Entra na sala de cirúrgia, sem muita experiência, se depara com o 'marginal' na mesa. 'Termino logo essa cirúrgia e vou tomar gelada com os amigos. É só um marginal, se morrer ninguém vai chorar por ele'.
Pronto, lá se foi uma vida. No boteco da esquina, os amigos se encontram. Todos lá, menos... o jardineiro. Os amigos preocupados, afinal era um encontro de anos, ligam para o amigo. Com voz de choro, fala aos amigos que naquela noite, seu filho mais novo teve problemas na escola, o pai não foi comunicado. O filho não voltou pra casa, foi parar na delegacia, por neglicgência do delegado, o pai não foi avisado. O menino, então, foi atingindo por uma bala perdida e, mais uma vez, por negligência do médico, faleceu na mesa de cirurgia.'

O jovem que ouvia a história, arrogante por natureza, vai logo dizendo em voz alta:
'Moralista! É só uma história qualquer, criada para comover os fracos! És apenas um velho acabado fingindo se importar com algo! Qual o seu nome, falso moralista?' - fazendo uma 'moral' entre amigos.
O velho, levemente corado, diz em tom manso...
'Sou o Silva, da S & S Jardinagem...'

Levanta timidamente e vai embora...

sábado, 4 de outubro de 2008

Werner

Ele comentou. Não deu pra deixar apenas como comentário.



"É verdade...e mais verdade que isso é o fato de que todo mundo esconde isso de todo mundo. eu fico pensando como o mundo teria mais personalidade se todos admitessem que fazem ou já fizeram esse tipo de coisa, sem se preocupar com represalhas. mas entre essas coisas que você citou...faltou falar sobre o quanto as pessoas são infelizes por impor maturidade aos outros sendo que elas as mais infantis, parece que todo mundo vive sem ter um passado, passam sacrificios para manter seu personagem no dia a dia e se esquivar de tudo e qualquer que revele/mostre/diga sobre quando ele tinha 16 anos e chego na escola com aquele corte de cabelo esquisito, ou que conte que ele foi o gordinho engraçado na epoca da escola, tem gente q dá um reviravolta nisso, tem gente que vive sequelas disso, mas quem vive as sequelas sempre será o mais sincero consigo mesmo. e verá com mais clareza o quanto isso é bobagem...e enfim será ele o cara legal que não tá nem aí em ser o que é, e nem vai ter medo de dizer como era na infancia ou na juventude!"

Primeira Pedra

[- Mais um texto nostálgico...]

Que atire a primeira pedra, quem nunca...

... Pensou fugir de casa antes dos 15 anos
... Ficou pensando em um final diferente para aquele filme
... Fez planos de mirabolantes antes de dormir
... Ficou com raiva porque não tinha 'aquela' peça no guarda-roupa
... Chorou por algum motivo e tempo depois percebeu o quão infantil foi
... Sentiu o choro na garganta e forçou sorriso
... Ficou esperando a ligação o fim de semana todo
... Quis fazer algo grandioso para que todos lembrassem
... Sentiu o coração bater mais forte pela pessoa errada
... Riu até chorar com amigos
... Acordou e pensou 'Hoje vou ser diferente'
... Ensaiou discursos, sermões... e na hora soltou apenas um 'tudo bem'
... Quis dormir pra fugir da dor
... Pensou em pintar os cabelos
... Ficou ansioso, sabendo que no fundo não iria dar certo
... Teve uma namorada (o) que nem sabia de sua existência
... Achou que era o melhor cantor de chuveiro
... Sente algo até hoje que não sabe explicar... um vazio, uma esperança, um qualquer
... Definiu sua música preferida, e então ela ficou guardada no fundo dos seus discos
... Tentou escrever um poema, letra de música

... Que atire a primeira pedra quem não se viu em alguma dessas passagens da vida...

...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sonho de Rotina

'... Quando todo mundo procurava uma forma de não cair na rotina, ele temia que a sua acabasse ou fosse interrompida por qualquer coisa. Todos os dias levantava no mesmo horário e dormia no mesmo horário, vestia a mesma roupa, pegava o mesmo ônibus. Tudo sempre tão igual! Ele fazia o tipo fechado e marrudo, de poucas palavras mas nem por isso de poucas idéias.
Apesar de jovem, se comportava como um velho. Tivera muitos amores, cada um destruído por algum motivo tolo. Todos buscamos um bom parceiro que nos complete, ele não. Procurava a perfeição e ao menor sinal de que ela não existia, já fazia seu mundo tremer. Fraqueza, insegurança, choro ou medo de tentar não faziam parte do seu 'eu', pelo menos não na frente dos outro.
Talvez ele não passasse de uma criança com medo de sofrer por amor ou decepção de nunca ter tentado. Vivia em um mundo paralelo, onde o medo de errar não existia e a perfeição era seu clímax.
Ele era desses que a gente passa do lado todos os dias na rua, mas ninguém nota. É, bem desses que quando a gente conhece se pergunta : " Onde você esteve esse tempo todo?"
Um dia ele ainda vai se fechar em um mundo de cores onde ninguém vai poder invadir ou dar palpites. Um desses mundos com uma tatuagem bem louca na porta de entrava, que ele sonha em, provavelmente, escrever seu nome. E lá, não vai ter sentimentalismo. Ah! Lá não! Vai ser um open bar com muito rock e uma busca incansável pra terminar esse sonho.
É, é hora de acordar pra sua rotina.
Rotina que ele ama.

sábado, 30 de agosto de 2008

Supermercado - Inferno de produtos

'... Um dia frio. uma boa coberta e algo gostoso pra comer. Bela combinação! Seria uma boa combinação se não fosse pelo fato de que não tem nada de gostoso pra comer. O que fazer? Surge então a brilhante idéia de 'Vou ao mercado rápidinho, compro algo e volto para ver meu filme.' - Maldita idéia!! - Coloca apenas uma blusa, vai de moletom mesmo, é rápidinho, ninguém nem vai notar. Entra no carro, dá aquela esfregada de mãos, liga o carro e pronto. Já bate um leve arrependimento por ter saído de casa, o mercado parece lotado, não tem nem vaga para estacionar. Tudo bem, vale a pena! Vou rápidinho e já volto.
Acha uma vaga qualquer, luta para colocar o carro. Entra no mercado, olha dos lados e... Não têm nenhum carrinho! O que te dá um leve calafrio.Tudo bem, afinal... você veio rápidinho e nem vai precisar de carrinho mesmo. Começa a andar pelos corredores, pensando em 'algo gostoso' para comer, olha uma caixa de chocolate qualquer e pega. Percebe então o quão lotado está o mercado, olha crianças correndo ao seu redor, mulheres lendo rótulos de creme de leite, estudantes pegando apenas cerveja, você olha e vê algo que precisava comprar. Quando percebe, já está com os braços abarrotados de coisas e nenhuma delas é 'algo gostoso para comer'. Olha para o mercado, uma fila enorme no açougue e nota aquela música das antigas, tipo Johnny Cash que era pra deixar o ambiente tranquilo, porém só vai deixando-o mais irritado.
Chega então a pior hora no supermercado, a hora de passar no caixa. - Essa hora é temida por dois motivos; primeiro: você nunca sabe quanto vai dar realmente sua compra; segundo: sempre, sempre têm uma maldita fila e a primeira da fila paga a compra em cheque ou cartão -
Não podia ser diferente, fila do caixa enorme. 10 minutos... 20 minutos... 40 minutos... Chegou sua vez. Parece que ela passou tão rápido!
Bate então aquela irritação profunda quando coloca os pés para fora do mercado. Você comprou mais do que queria, mais do que precisava e nada de 'gostoso para comer'. Seu filme já está na metade e você sabe que amanhã estará novamente... no inferno de produtos, chamado Supermercado. ...'

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Um Publicitário

'... Não tinha o melhor emprego, nem o melhor salário. Do tipo que saí de manhã e só se sente o cheiro ao anoitecer. Um publicitário qualquer, uma figura borrada no mundo da imagem, um ser solitário - em todos os sentidos. Já teve uma ou duas namoradas, nada muito sério, nada muito intenso. Uma ninfomaníaca, dessas bem sucedidas na vida e sedentas por um belo rosto masculino. Outra... simples, nova, sem muitas expectativas na vida, na verdade, sem nenhuma. Como era triste se envolver com esse tipo de mulher, nunca teve muita sorte pra sorrir na hora certa ou arrumar um bom papo.
Era jovem, sabia que tinha uma carreira pela frente... era o que gostava de pensar. Pensar, pensar e pensar... eterno pensador! E todos os dias ele chegava do trabalho, cansado... jogava a chave do carro em um canto qualquer da mesa, respirava fundo ao entrar em casa. Filho único, pais velhos, nada muito exclusivo. Sempre ia para a cozinha e abria a geladeira, encarava como se ela tivesse culpa ou entendesse como se sentia. Nada de bom, denovo. Um prato de comida, nada que pudesse matar sua fome, seu desejo.
Dava mais uma respirada profunda, afrouxava o nó da gravata - Oh vontade mesmo era de afrouxar o nó da vida - caminhava em direção ao quarto, sentava ao pé da cama, tirava os sapatos... ficava imaginando como seria chegar em casa e ter alguém para conversar, alguém que o esperasse ansiosamente para saber como fora o seu dia. Um alguém, um amor.
Deitava na cama, de palitó mesmo, abraçava as pernas... e assim, enfim, dormia...
Ou sonhava, sonhava com um grande amor... '